4/3/2010 - A realização do II Fórum de Diversificação de Culturas e Atividades Rurais, realizado na tarde desta quarta-feira, 3 de março, no auditório da Expoagro Afubra 2010 buscou alternativas para viabilizar a atividade rural e manter os jovens nas propriedades familiares. O evento, promovido pelo Comitê de Diversificação de Culturas e Atividades Rurais, composto por entidades, universidades e órgãos governamentais ligados ao desenvolvimento rural teve a participação do secretário Estadual da Agricultura do Rio Grande do Sul, João Paulo Machado; do presidente da Emater, Mário Nascimento, e do presidente da Afubra, Benício Werner. Também participaram o representante da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag), Amauri Miotto; o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf), Albino Gerwehr, prefeitos da região e líderes rurais.
Ao fazer a abertura do evento e anunciar as palestras, o vice-presidente da Afubra, Heitor Álvaro Petry, falou sobre os problemas da agricultura familiar, em especial sobre a preocupação com a sucessão rural. As discussões pelos palestrantes e público presente, apontaram para a necessidade de políticas públicas que mantenham no campo os filhos de produtores rurais. O tema continuará sendo tema dos próximos encontros do Comitê de Diversificação.
Na palestra “Resgate histórico da agricultura familiar”, o engenheiro agrônomo da Emater, Paulo Francisco Conrad, mostrou a história da produção rural, que tomou impulso com a colonização europeia, principalmente pelos alemães e italianos. Ele também falou sobre a organização das comunidades rurais, que, em épocas passadas, era caracterizada pela união entre vizinhos, inclusive para construir estradas, pontes e igrejas. “Famílias produziam grande variedade de produtos e eram autossustentáveis, tinham conhecimento da transformação, faziam as cuias para tomar chimarrão e conheciam ervas medicinais”, disse.
Conrad explicou também que a partir dos anos 1970, houve mudanças porque os produtores passaram a produzir para vender e foi quase extinta a cultura de fabricação de queijo, nata, vinagre, salame e outros produtos. Ele lembrou que, a partir dos anos 1990, com a globalização, ocorreu a exclusão do produtor. “A indústria passou a definir a produção e a necessidade produtividade inseriu cada vez mais agrotóxicos nas propriedades”, acrescentou. Estes fatores provocaram o envelhecimento da população rural, os jovens buscaram outras alternativas e as propriedades rurais ficaram sem sucessão. “Agora se tenta o resgate”, disse, e lembrou que as propriedades do interior precisam retomar a sua cultura de produção.
A segunda palestra da tarde, intitulada “Jovem rural como elemento de sucessão e transformação rural”, foi ministrada por Welington Rogério Zanine, do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS). Ele disse que existem várias formas de ver o campo, que pode ser um lugar para viver com qualidade ou um local apenas de produção, sem a necessidade de que as pessoas vivam lá. Para viabilizar a agricultura familiar, ele sugeriu que a área rural seja trabalhada como um espaço de vida. Para alcançar este objetivo, disse que são necessárias estratégias de formação política, como as redes de cooperação. “A juventude precisa querer o campo, ter terra, trabalho, renda e cultura”, enfatizou. “Se nós queremos uma sucessão rural, é preciso ter estratégias viáveis”, finalizou.
Na palestra “Agricultura Familiar: os desafios para o desenvolvimento com qualidade de vida”, a coordenadora do Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural (Dater) do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Adriana Calderan Gregolin, lembrou que a agricultura familiar é muito importante para o Brasil e é onde o trabalho da família tem importância decisiva. Ela lembrou que 24% da área agrícola do Brasil é ocupada por 4 milhões de pequenas propriedades. “Eles produzem 38% da produção agrícola e 74% dos trabalhadores rurais atuam nas pequenas propriedades”, disse. A palestrante salientou ainda que apoiar a agricultura significa crescimento, que não é apenas monetário, mas sim de qualidade de vida.
Fonte: Afubra / Cristina Severgnini
